A Chuva que Nos Uniu

Marina correu para debaixo da marquise quando a chuva desabou sem aviso. Foi ali, encolhida contra a parede de tijolos, que reencontrou Daniel depois de tanto tempo — o mesmo sorriso torto, os mesmos olhos que pareciam guardar segredos.

 

"Achei que você tinha se mudado", ela disse, tentando soar casual enquanto o coração disparava.

 

"Voltei semana passada." Ele deu um passo mais perto, protegendo-a do vento que jogava respingos sob o teto estreito. "Senti sua falta."

 

A chuva batia forte no asfalto, isolando os dois num mundo pequeno e íntimo. Marina sentiu o calor do corpo dele mesmo sem tocar, a proximidade fazendo sua pele arrepiar. Daniel ergueu a mão devagar, afastando uma mecha molhada do rosto dela, e o gesto simples carregava toda a tensão que os dois vinham evitando havia anos.

 

"Isso é uma péssima ideia", ela sussurrou, sem se afastar.

 

"A pior", ele concordou, os lábios quase tocando os dela.

 

Quando finalmente se beijaram, foi como se o tempo que os separara nunca tivesse existido. As mãos dele encontraram sua cintura, puxando-a mais perto, enquanto a chuva continuava lá fora, indiferente ao que acontecia sob aquele teto pequeno demais para tanta saudade acumulada.

 

Eles ficaram ali até a tempestade passar, trocando beijos e promessas baixas, redescobrindo em minutos tudo o que os anos de distância não tinham conseguido apagar. Quando o céu finalmente abriu, nenhum dos dois teve pressa de sair dali.

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