Aluguel Compartilhado

Dividir apartamento com um estranho parecia uma boa ideia até Bianca conhecer Felipe pessoalmente — alto demais, sorriso fácil demais, andando pela cozinha sem camisa como se aquilo fosse normal às sete da manhã.

 

As primeiras semanas foram de educação exagerada e olhares que duravam um segundo a mais do que deveriam. Numa noite de filme na sala, dividindo o mesmo sofá pequeno demais para dois, o braço dele encostou no dela e nenhum dos dois se afastou.

 

"Isso vai ficar estranho se eu disser que não consigo prestar atenção no filme por sua causa?", Felipe perguntou, os olhos fixos nela em vez da tela. "Talvez", Bianca respondeu, se aproximando mesmo assim, "mas acho que não me importo". O beijo que se seguiu fez o filme ficar completamente esquecido, e o contrato de aluguel, uma piada distante.

 

A partir daquela noite, dividir o apartamento ganhou um significado bem diferente do que constava no contrato.

Voltar para o blog