Chuva de Verão

A chuva pegou Isabela no meio da praia, e foi correndo procurar abrigo que ela esbarrou literalmente em Gabriel, debaixo do mesmo quiosque fechado. “Desculpa”, ela riu, encharcada, tentando recuperar o fôlego. “Não precisa”, ele respondeu, olhando-a de um jeito que fez o coração dela acelerar mais do que a corrida.

 

Enquanto esperavam a chuva passar, conversaram sobre tudo e nada, os corpos cada vez mais próximos para se protegerem do vento. “Você sempre fica linda assim, molhada e sem graça nenhuma?”, ele provocou, e ela empurrou o ombro dele, rindo, sem conseguir negar a tensão crescente entre os dois.

 

Quando os olhares se encontraram de novo, mais demorados dessa vez, nenhum dos dois precisou dizer nada. Gabriel se aproximou devagar, dando tempo para ela recuar se quisesse — ela não quis. O beijo teve gosto de sal e chuva, intenso o suficiente para fazer os dois esquecerem completamente do tempo.

 

A chuva parou muito antes dos dois perceberem, mas nenhum saiu do quiosque com pressa.

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