Elevador Parado

O elevador travou entre o sétimo e o oitavo andar bem na hora em que Renata voltava do mercado e Diego, do trabalho. Os dois se conheciam de vista, esbarravam no corredor às vezes, nunca tinham trocado mais que um "bom dia".

 

Com a luz de emergência piscando fraca, a conversa nervosa foi ficando íntima. Diego contou uma piada péssima só para vê-la rir, e funcionou — o riso dela ecoou na caixa metálica pequena demais para tanta proximidade. "Desculpa, mas seu perfume tá me deixando ainda mais claustrofóbico", ele confessou, e ela riu de novo, mais baixo, mais perto.

 

Quando as mãos deles se tocaram sem querer no corrimão, nenhum dos dois afastou. O elevador continuava parado, mas alguma coisa entre eles começou a se mover — um beijo lento, roubado no escuro, que fez o tempo passar rápido demais para um simples defeito mecânico.

 

Quando o elevador finalmente voltou a funcionar, quarenta minutos depois, os dois saíram de mãos dadas rumo ao apartamento mais próximo — sem nenhuma pressa de se despedir na porta.

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