Guarda-Chuva Dividido
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Ana saiu do trabalho sem guarda-chuva bem na hora em que a chuva desabou, e foi Gustavo, o colega do departamento ao lado por quem ela nutria um interesse nunca admitido, quem apareceu oferecendo abrigo sob o próprio guarda-chuva. “A gente mora perto, não é?”, ele perguntou, já sabendo a resposta.
Caminhando colados para caber os dois debaixo do guarda-chuva pequeno demais, os braços se roçavam a cada passo, e a conversa fluiu com uma naturalidade que surpreendeu os dois. “Você sempre foi tão disponível para colegas encharcadas?”, Ana provocou. “Só para as que eu queria uma desculpa para acompanhar”, Gustavo admitiu, sem desviar o olhar.
Quando pararam embaixo de uma marquise para escapar de um temporal mais forte, a proximidade forçada virou escolha. “Isso vai complicar as coisas no escritório”, ela sussurrou, mesmo se aproximando. “Vale a pena complicar”, ele respondeu, antes de finalmente beijá-la, o barulho da chuva abafando tudo, menos a certeza dos dois.
O guarda-chuva ficou esquecido, aberto no chão, quando os dois finalmente seguiram — juntos — para o mesmo apartamento.