Karaokê Às Três da Manhã

Depois que os outros amigos foram embora do karaokê, só sobraram Letícia e Rafael, cantando músicas cada vez piores para uma sala quase vazia às três da manhã. Eles se conheciam há anos, sempre “só amigos”, mas aquela noite parecia diferente.

 

Quando a música lenta começou por acidente na fila de reprodução, nenhum dos dois mudou a canção. Rafael estendeu a mão, meio de brincadeira, convidando para dançar ali mesmo, entre as mesas bagunçadas. Letícia aceitou, e o riso fácil de sempre foi ficando mais baixo, mais próximo.

 

"A gente tá bêbado ou isso é estranho de verdade?", ela perguntou, a testa quase encostando na dele. "Um pouco dos dois", Rafael admitiu, antes de fechar a distância e beijá-la devagar, como se tivesse esperado anos por uma desculpa daquelas.

 

O microfone ficou esquecido no chão, ainda ligado, captando risadas baixas que não eram mais só de amizade.

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