O Cliente da Mesa 12
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Todo fim de tarde, às sextas, o mesmo homem se sentava na mesa 12 e pedia um espresso duplo. Bia já sabia o pedido de cor, mas inventava desculpas para demorar mais um pouco perto dele, ajeitando guardanapos que não precisavam de ajeito.
Naquela sexta, ele finalmente falou primeiro. "Você sempre sorri assim ou é só comigo?", perguntou, com um meio sorriso que fez o coração dela disparar. Bia apoiou o quadril na borda da mesa, ousada. "Depende de quem pergunta."
Quando o café esfriou sem que nenhum dos dois notasse, ele pediu o número dela; ela respondeu escrevendo no guardanapo, os dedos roçando os dele de propósito. Às vinte e duas horas, quando a cafeteria fechou, foi ele quem esperou do lado de fora — e o beijo de despedida durou bem mais que um simples "até mais".
De lá pra frente, a mesa 12 nunca mais ficou vazia às sextas — e o espresso duplo virou desculpa para muito mais que café.