Plantão na Emergência
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Era três da manhã e o plantão finalmente dava uma trégua. Marina, enfermeira há dois anos naquele hospital, encontrou o Dr. Henrique sozinho na copa, os olhos cansados fixos numa xícara de café frio. “Longa noite?”, ela perguntou, sentando ao lado dele.
“Você não imagina”, ele respondeu, mas o sorriso cansado se transformou em algo mais suave ao olhá-la. Meses trabalhando lado a lado tinham criado uma cumplicidade que nenhum dos dois ousava nomear, mas que estava ali, evidente no silêncio confortável entre eles.
“Você sempre soube exatamente o que dizer para me acalmar num plantão difícil”, Henrique confessou, aproximando a cadeira. “E você sempre soube exatamente como me fazer nervosa sem dizer nada”, Marina respondeu, o coração acelerando quando ele tocou o rosto dela de leve.
O beijo aconteceu devagar, ali na copa vazia, entre o cheiro de café e antisséptico — improvável, inconveniente, e completamente inevitável depois de tanto tempo adiando o óbvio.