Vizinhos de Sacada
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Todas as noites, quase no mesmo horário, Camila saia para fumar na sacada e via a luz do apartamento vizinho acender. Foi assim que reparou em André, sempre regando as plantas de cueca e camiseta, sem imaginar que era observado.
Numa noite, ele finalmente percebeu. “Você fica me espiando todo dia ou é impressão minha?”, gritou de um lado para o outro, sorrindo. “Só quando o show vale a pena”, ela respondeu, sem se importar em disfarçar. A partir daí, as conversas de sacada viraram rotina, cada vez mais próximas, cada vez mais carregadas de dupla intenção.
Uma noite de calor insuportável, André apareceu na porta dela com uma garrafa de vinho como desculpa. “Achei que devíamos continuar essa conversa sem gritar de um lado a outro do prédio”, disse, e Camila abriu espaço para ele entrar, o coração acelerado. O vinho ficou esquecido na mesa quando os dois finalmente se beijaram, meses de flerte à distância explodindo de uma vez.
As sacadas continuaram vizinhas, mas os apartamentos, a partir daquela noite, deixaram de ser dois.